Mais que uma moda ou um meio de registrar datas importantes, os centros de memória são acervos híbridos que resguardam, por meio de materiais e suportes variados – caracterizando-se na literatura especializada como um misto de arquivo, biblioteca e museu –, a trajetória das instituições e de seus atores, com finalidades que variam conforme sua inserção e real importância perante o conjunto orgânico de suas respectivas matrizes. Voltado a museólogos, historiadores, arquivistas e outros interessados na temática relacionada a acervos e patrimônio cultural, este livro, elaborado pelas historiadoras Ana Maria Camargo e Silvana Goulart, traça um percurso que abrange teoria e prática, iniciando por estabelecer as nuances entre os organismos responsáveis pela gestão e custódia de documentos e, em seguida, abordando de que modo as lógicas contemporâneas explicam o aparecimento dos centros de memória. A análise se completa com a experiência de algumas empresas brasileiras que vêm criando e mantendo esses centros a partir de demandas cuja iniciativa não parte apenas dos cargos de chefia, mas surge, por vezes, dos próprios funcionários, que sentem a necessidade de resgatar a identidade e os valores esquecidos ou abandonados devido às urgências do dia a dia. O estudo que resultou nesta obra demonstra que, mais que reunir a memória, esses centros têm, hoje, a necessidade de criar um conhecimento organizacional que vise à inovação; são, portanto, responsáveis pelo duplo movimento de debruçar-se sobre o passado de uma instituição e, ao mesmo tempo, apontar caminhos para seu futuro.