Jacques Derrida é hoje uma das figuras mais representativas do pensamento filosófico francês do período pós-estruturalistas. Esta sua obra – a segunda a ser traduzida para o português pela editora Perspectiva, pioneira na publicação do autor no Brasil – tornou-se referência obrigatória no debate crítico sobre o conjunto do pensamento ocidental, designado no livro como um ‘logocentrismo’. A formação de uma Gramatologia (ou ciência da possibilidade de ciência) visa o rompimento desta condição ‘logocêntrica’, mantida e alimentada dentro de uma concepção estrita de ‘escritura’. À procura de uma concepção mais ampla que abarque um sistema total aberto a todas as cargas de sentidos possíveis, o autor coloca em questão mais uma vez a discutível oposição forma/conteúdo, examinando-a em particular tal como ressurge dentro da linguística a partir de Saussure. Troubetzkói, Jakobson, Martinet, Halle, Hjelmslev, são nomes – entre outros – que não escapam a sua aguda apreciação crítica.